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Anomalisa: um estudo social sobre o amor fugaz

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Como seria uma história em animação contando a vida dos adultos? Por que ninguém havia pensado isso antes? Foi a minha inquietação quando eu descobri  Anomalisa  (2016, drama/romance), o filme mais recente do meu querido e excêntrico roteirista Charlie Kaufman. Demorei algum tempo para assisti-lo, me perdi no meio do caminho contemplando  Sinédoque, Nova Iorque  (2008, primeira direção de Kaufman), um drama subestimado pelo público e crítica sobre um dramaturgo que intenta realizar um espetáculo megalomaníaco sobre sua própria vida. Acho interessante que, muitas vezes, o impulso criativo de Kaufman é o mais honesto possível com o seu público: nós só podemos falar sobre o que vivemos e  compreendemos. Provavelmente, é mais fácil falar sobre si mesmo. É terapêutico, na verdade. Anomalisa , como o próprio título sugere, é uma estória incomum. Não é apenas uma animação adulta, é um  stop motion . O desafio é duplo, você transpor um roteiro para um univ...

Minha primeira maratona do Oscar

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Uma experiência marcante que eu tive com o cinema foi fazer uma maratona de filmes do Oscar. Peguei esse costume nos últimos anos porque é a premiação mais tradicional. Até quem não gosta de cinema a conhece. Na edição de 2014, eu assisti a quase todos os filmes, meio que levado pela maré de comentários nas redes sociais e acho importante compartilhar isso com vocês. Provavelmente, todo cinéfilo já acompanhou e se deslumbrou com aqueles vários títulos disputando, cheios de cartazes, de trailers, críticas e entrevistas nos jornais; Hollywood em festa, artistas distribuindo sorrisos na televisão. É a parte glamourosa que muita gente se encanta, é o espetáculo americano, the show . Essa foi uma das formas d'eu me aproximar um pouco mais do cinema. Naquele ano, disputaram a categoria de “melhor filme”, todos estreados em 2013, os seguintes concorrentes: Trapaça (Drama/Romance Policial, por David O. Russell), Capitão Phillips (Thriller/Drama, Paul Greengrass), Clube de Co...

Snowden e 1984: quando a ficção científica se torna realidade

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“ Guerra é paz. Liberdade é escravidão. Ignorância é força.” Esse é o slogan do Partido que governava o país imaginário Oceania, na aventura distópica 1984 , de George Orwell, lançado em 1949. Mais de meio século depois, o mundo inteiro vê a estória do romance inglês virar realidade, graças ao fenômeno Edward Snowden. O jovem hacker trouxe à tona o antigo dilema “liberdade x segurança”, quando publicizou o sistema de vigilância dos Estados Unidos da América (EUA), que põe olhos sobre qualquer cidadão ou instituição do planeta. O cinema permite compreender as semelhanças das duas histórias, dos seus respectivos protagonistas e destinos. Citizenfour (2014), documentário de Laura Poitras, e Snowden (2016), suspense biográfico dirigido por Oliver Stone, são registros cinematográficos que funcionam como janela para a reflexão que se segue. Quando a ficção científica se tornou realidade? Para que vocês entendam, é interessante ver a sinopse do livro : Winston, herói de 1984, úl...

O cinema e eu

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Uma característica predominante entre os cinéfilos é a ansiedade em falar sobre os filmes que assistiu. Una a isso a ca pacidade verborrágica de alguém que acabou de se formar em Jornalismo e que escolheu a profissão porque ama escrever: aqui estamos. Cine Fronteira .  É importante frisar que o blog é uma referência a Wim Wenders, cineasta alemão de brilhantes palavras cujos filmes eu ainda não assisti, apesar de citá-lo à exaustão depois que li seu texto " Cinema Além das Fronteiras ", extraído do livro Pensar a Cultura (2013), do projeto Fronteiras do Pensamento. Esse texto dá forma ao que penso sobre os filmes mais fascinantes que já assisti, não porque os filmes não me arrancaram bocejos, todavia certas vezes é preciso garimpar. Certos filmes chatos, passada a primeira hora do tédio sofrido, oferecem os frutos das reflexões propostas por seus realizadores. É o propósito da arte. Nos dar alimento para a alma. E Wim Wenders acredita que os bons filmes estão usualme...